Melchiorre Murenu
Melchiorre Murenu (Macomer 1803 – 1854) foi um poeta cego da Sardenha. Melchiorre Murenu é conhecido como o "Homero da Sardenha" porque (assim como o grande poeta grego) ele era cego e viveu toda a sua vida pela poesia.
Ele nasceu em Macomer, onde viveu toda a sua vida. Aos três anos ficou cego por causa da varíola. O pai de Murenu foi preso quando Melchiorre tinha dez anos e acredita-se que ele tenha morrido durante sua prisão. Esta infeliz circunstância levou a família de Murenu à pobreza (Murenu falou dos tempos difíceis de sua infância no poema Supplica a Monsignore Bua). Nessas circunstâncias difíceis, Murenu não tinha condições de receber uma educação formal e gostava de passar algum tempo na igreja local. Lá ele conheceu os textos bíblicos e, graças a uma memória prodigiosa, podia recitar passagens inteiras das Escrituras, bem como os sermões diários, inteiramente de cor.
Apesar deste contexto (ou, talvez, por causa dele), a pobreza e a opressão são os temas principais da poesia de Murenu. Entre suas letras mais famosas estão Supplica a Monsignore Bua ("Supplique to Mgr. Rua", sobre os infortúnios de sua família), S'istadu de Sardenha ("Estado da Sardenha", sobre a injustiça generalizada contra o povo indefeso da Sardenha) e Tancas serradas a muru ("terras muradas"), um quartil sobre a apropriação de terras.
Outra composição famosa de Murenu selou seu destino; é Sas isporchizias de Bosa ("a sujeira de Bosa"), uma descrição fictícia (e decididamente nada lisonjeira) da cidade de Bosa. É comum pensar que por causa deste poema, alguns habitantes de Bosa decidiram vingar tal ofensa matando-o. Na noite de 21 de outubro de 1854, três homens, alegando estar ali em nome de um poeta conhecido de Murenu, atraíram-no para fora de seu lugar e empurraram-no de um penhasco.
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